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___________Quinta-feira, Setembro 25, 2008__ |
![]() Se a própria definição de Bossa Nova já é discutível, mais incerto ainda é seu nascimento. Marcos são necessários para que empresas e gravadoras possam encher as prateleiras das lojas com lançamentos e compilações. 2008 ficou marcado como o cinqüentenário do estilo, tendo como referência o lançamento do LP “Canção do amor demais”, de Elizeth Cardoso, e o famoso (merecidamente) “Chega de Saudade”, do baiano João Gilberto. Longe de pôr à prova esses dois álbuns, mas o que seria deles sem a participação da dupla de compositores mais importantes da música brasileira: Vinicius de Moraes e Antonio Carlos Jobim? Embora tanto Tom quanto Vinicius tenham composto em variados estilos, eu me arriscaria a afirmar que a Bossa Nova nasceu quando o ainda desconhecido pianista aceitou o pedido do renomado poeta para participar da criação das músicas da peça “Orfeu da Conceição”. O sensível espetáculo só poderia mesmo ter saído da cabeça de Vininha: um mito grego transposto aos morros cariocas – perfeito encontro entre o erudito e o popular. Resumidamente, na história do poeta e diplomata, Orfeu era um morador de favela negro apaixonado pela bela Eurídice. O principal encanto de Orfeu era a sua música. Na peça, a lira grega se transforma no mágico (e já “abrasileirado”) violão. Assim como o surgimento da Bossa, várias versões são contadas para o primeiro encontro de Vinicius de Moraes e Tom Jobim. A princípio, o responsável pelas músicas da peça seria Vadico, o parceiro de Noel Rosa. Por problemas de saúde, o pianista recusou o convite do Poetinha. Tanto no encarte do CD “Orfeu da Conceição” (com texto de Rodrigo Faour, escrito em 2006) quanto no Songbook “Orfeu” (lançado pela Jobim Music, em 2003), atribui-se ao jornalista Lúcio Rangel a idéia de indicar o jovem Tom a Vinicius. Em “Chega de Saudade” (livro de Ruy Castro lançado em 1990), conta-se que o nome de Tom já estaria sendo soprado no ouvido do poeta por Ronaldo Bôscoli, que, na época, era cunhado de Vinicius. Ninguém discute, porém, que os dois já se conheciam apenas de vista do Clube da Chave, em Copacabana, onde Vinicius lembra ter se surpreendido com o “jeito diferente” que Tom tocava a música “Tão Só”. Fato é que tempos depois, no bar Villarino, centro do Rio, o Poetinha apresentou a proposta da peça a Jobim, ao que este, sempre preocupado com o pagamento do aluguel, respondeu: “Mas tem um dinheirinho nisso aí?”. A história ficou quase tão famosa quanto os novos parceiros que acabavam de se firmar. “Orfeu da Conceição” já nasceu grande. Texto e letras de Vinicius de Moraes, música de Antonio Carlos Jobim, cenários de Oscar Niemeyer e um elenco só com atores negros que pisariam pela primeira vez no palco do Teatro Municipal. A peça estreou no dia 25 de setembro de 1956 e fez tanto sucesso que no dia 1º de outubro do mesmo ano, a gravadora Odeon lançou um LP com as músicas cantadas por Orfeu (neste caso, interpretadas pelo cantor Roberto Paiva, escolhido pelo diretor artístico Aloysio de Oliveira), uma abertura instrumental de Jobim inspirada na “Valsa de Eurídice” e o “Monólogo de Orfeu” declamado pelo poeta com a melodia de “Modinha” ao fundo. O álbum não fez tanto sucesso na época quanto à peça. Isso porque a Odeon optou por lançá-lo em dez polegadas, ou seja, maior que um compacto e menor que o LPs com capacidade de 12 faixas. Poucas pessoas tinham o aparelho necessário para este formato, por isso, o disco “Orfeu da Conceição” ficou restrito à elite. Nem isso ofuscou o brilho das canções. Para escrevê-las, Tom e Vinicius refugiaram-se em um endereço que logo ficaria famoso: o apartamento de Tom, na Rua Nascimento Silva 107. Lá nasceu “Se todos fossem iguais a você”, primeira parceria da dupla que foi constantemente regravada nesses mais de 50 anos de existência. O que falta para “Se todos fossem iguais a você” ser considerada Bossa Nova? Admito que a interpretação de Roberto Paiva fica longe do caráter “desafinado” dos bossanovistas. Mas letra e melodia são indiscutivelmente modernas. A fase de transição é perceptível neste álbum. Na “Ouverture”, a orquestra de 35 integrantes regida por Tom segue à risca o encontro de erudito e popular. É notável a admiração do maestro tanto por Villa-Lobos quanto por Nelson Cavaquinho. A música começa com caráter clássico, é transformada pelo violão de Luiz Bonfá e termina em um legítimo samba. Percebo em “Um nome de mulher” e “Eu e o meu amor” uma influência maior do samba tradicional. Talvez pela interpretação mais dramática, até um tanto chorosa, de Roberto Paiva. Acredito que o recurso do coro também reforce essa característica. Em “Mulher, sempre mulher” e “Lamento no morro” sinto mais uma vez a modernidade que resultaria anos mais tarde na Bossa Nova. Letras leves e o violão se impondo à melodia. No ano em que tanto se fala sobre “Canção do amor demais” e “Chega de Saudade”, pouco é explicado sobre o que era produzido antes. “Orfeu da Conceição” foi um marco na música e no teatro brasileiro, embora tal fato não seja tão reconhecido. Na história, a favela se torna o Monte Olímpo, onde quem reina é Orfeu e seu violão. Na trilha, a música dos deuses: o fruto do que seria apenas o começo da parceria que mudou a história da música popular brasileira. ... |
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.: por Nanda :: 9:16 PM :.
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___________Quarta-feira, Dezembro 12, 2007__ |
![]() Sou mangueirense e não foram só o verde e rosa na Sapucaí que me influenciaram a fazer essa escolha. A quantidade de músicas compostas em homenagem à Estação Primeira foi um fator decisivo. São tantos os artistas que declararam seu amor à Escola. É impossível não se emocionar ouvindo: “Como uma chuva de rosas, meu sangue jorra das veias e pinta um tapete para ela sambar” (trecho de Chão de Esmeraldas, de Chico Buarque). Até Paulinho da Viola, portelense nato, já declarou sua admiração à verde-e-rosa na música “Sei lá, Mangueira” e deixou muitos integrantes da Portela com ciúmes. Um dos mais nobres sambistas que já compuseram a velha guarda da Mangueira foi Cartola. Ele foi o responsável pela escolha do nome Estação Primeira de Mangueira e pelo verde e rosa da Escola. Uma das tantas canções que ele compôs em homenagem à Mangueira diz “Vivo tranqüilo em Mangueira porque sei que alguém há de chorar quando eu morrer”. Pois é, Cartola. Não faltou quem chorasse na sua despedida. Infelizmente, a Escola não soube repetir a homenagem para comemorar seu nascimento. 2008 é o ano do centenário de nascimento de Cartola. Na Avenida, em fevereiro, o desfile da Mangueira irá homenagear um centenário, só que não do sambista. Ano que vem, na Sapucaí, a Mangueira samba pelo centenário do Frevo. Justificativa: a Escola recebeu o patrocínio de R$ 3 milhões pela Prefeitura de Recife. Sempre que criticavam o fim da beleza do Carnaval carioca, eu discordava. Ano que vem, não terei argumentos para isso. Diferente de sua tão famosa bateria, a Mangueira está desincronizada. O que vejo é uma das Escolas de samba mais tradicionais se rendendo, com facilidade, ao capitalismo torpe e esquecendo sua bela história. Em 2008, a Mangueira não vai fazer jus aos emocionantes desfiles que fizeram a Escola ganhar tantos admiradores. Em 2008, o verde e rosa vai se perder entre o vermelho, amarelo e laranjado do Recife e descolorirá. Mas, como diz mais uma das belas músicas feita em homenagem à Escola, “Mangueira, teu passado de glória está gravado na história”. Uma pena precisarmos recorrer a essa nostalgia. ... |
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.: por Nanda :: 10:02 PM :.
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___________Segunda-feira, Outubro 01, 2007__ |
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No mundo da música, certas datas não costumam passar em branco. As tais datas “redondas” geralmente são celebradas com um lançamento de inéditas achadas no fundo do baú, reportagens que viram capas dos cadernos de Cultura, um livro biográfico, um box de DVDs com gravações raras ou simplesmente uma turnê relembrando “os grandes clássicos que marcaram época” (um clichê sempre utilizado nessas ocasiões). Por que nos importamos em lembrar essas datas? Seria pura jogada de marketing das gravadoras para amenizar a tão discutida crise do mercado fonográfico ou apenas uma comoção generalizada (afinal, se o artista já não estiver “entre nós”, a repercussão é ainda maior)? Antes de mais nada, precisamos nos lembrar que estamos tratando de arte que, de acordo com Tom Zé (o “louco” mais lúcido do tropicalismo), é “o grau mais alto da capacidade humana”. Precisamos lembrar também que a arte é capaz de imortalizar, tornar eterno. Enfatizar essas datas é lembrarmos o que sequer poderia ter sido esquecido, é sentir novamente a mesma emoção vivida quando ouvimos pela primeira vez aquela música que nos fez admirar o artista homenageado para o resto de nossas vidas. Algumas pessoas que não entendem o significado de nostalgia criticam todo esse saudosismo, pois acreditam que essas lembranças desviam a atenção do que está sendo produzido atualmente. Eu prefiro continuar no meio termo entre passado e presente. Afinal, como já imortalizou Vinicius de Moraes, “para isso fomos feitos: para lembrar e ser lembrados”. ... |
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.: por Nanda :: 10:22 PM :.
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___________Terça-feira, Março 20, 2007__ |
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.::Nos Bailes da Vida::.
Uma hora antes do horário marcado, a fila de carros já engarrafava o estacionamento do Ginásio Nilson Nelson. Os lugares centrais na arquibancada e nas cadeiras não-numeradas já estavam tomados. Todos queriam ter a melhor visão possível do show tão esperado. Com um pequeno atraso de vinte minutos, as luzes se apagam e, com o palco ainda completamente escuro, "Infinito Particular" é tocada. Eu não tenho certeza, mas me pareceu playback. Na verdade, até agora não entendi muito bem o porquê da escuridão total quando a música foi tocada. De qualquer forma, o espetáculo foi transferido do palco para a platéia com as luzes dos celulares embalados pela música. O palco é, enfim, iluminado. Marisa Monte e a banda começam a tocar "Universo ao meu redor". Como numa roda de samba, a cantora permanece sentada e com o cavaquinho a postos. Para se destacar da banda, Marisa estava "elevada" numa estrutura móvel. Era a união entre o samba e o pop sempre presentes nas músicas de Marisa Monte. Estava definido e representado o "Universo Particular". Se já parecia difícil trabalhar com dois discos recém lançados e canções antigas, Marisa resolveu complicar ainda mais e inseriu músicas dos Tribalistas no seu repertório. O risco de que o show ficasse confuso era grande, porém Marisa Monte conseguiu que essa variedade de estilos se fundisse em harmonia. Enquanto o cenário de luzes se movimentava, já no violão Marisa cantava "Carnavália". E continuou intercalando músicas novas com sucessos do Tribalistas. Apresentou "Vilarejo", "Eu não sou da sua rua" (nessa música, Marisa mostrou ter talento para mais um instrumento: a gaita), "Aconteceu" e "Passe em casa". Nas canções do trio, o público ficava ainda mais animado. Sabiam que era uma chance (quase) única para ouvi-las ao vivo. Afinal, os Tribalistas não puderam fazer turnê por conta da gravidez de Marisa Monte. Marisa sai da sua posição "elevada" e com o microfone nas mãos canta e dança perto da platéia "Maria de verdade". Nessa música, o telão fica todo preto com duas borboletas amarelas voando. Lindo. Quando cantou "Alta noite", apenas voz e violão, o público a acompanhou em coro. Uma grande lua atravessou o palco durante a canção enquanto a "alta noite já se ia". Lindo mais uma vez. Cantou também "Satisfeito", música que conta a história de um sujeito que é abandonado e, mesmo assim, continua feliz. Ao terminar a música, justificou a canção. Disse que a música era um contraponto a "Wave", canção de Tom Jobim, e afirmou: "É possível ser feliz sozinho sim. Mas claro que Tom Jobim tem sempre razão". E foi nesse clima descontraído que o show seguiu. Ao cantar "Dança da solidão", foi novamente acompanhada pelas vozes platéia. Surpreendentemente, uma gaiola surgiu quando "Meu canário" é cantada. Dentro dela, dois objetos "voavam". Essa gaiola faz parte da exposição "Levitação cúbica" do artista plástico Franklin Cassaro e eram os "passarinhos enjaulados ecologicamente corretos" de Marisa Monte. Na mesma música, a cantora interage com a platéia nos "ui, uis" e "ai, ais" da música. "Segue o seco" e "Beija eu" ganharam uma versão diferente, acústica. "Até parece" e "Pra ser sincero" são as últimas músicas de "Infinito particular" a serem tocadas. Cantou "Tema de amor" e depois convidou a todos para uma festa no apartamento do Dadi (que toca baixo, violão e guitarra no seu show). Sempre simpática e descontraída, pediu para que as pessoas levassem algumas coisinhas que tinha listado e começou a cantar "jujuba, bananada, pipoca, cocada, queijadinha, sorvete". Esses são os primeiros versos da música inédita "Não é proibido", fruto da parceria entre Marisa Monte, Dadi e Seu Jorge. Para terminar o show, pediu que as pessoas repetissem a cena do início do show e embalassem "Velha Infância" com as luzes dos celulares. A atenção foi novamente desviada para a platéia. Marisa e banda voltam para o bis e "Não vá embora" e "Já sei namorar" são cantadas e dançadas pelo público. Marisa volta novamente. Dessa vez, sozinha. Na capela, começa a cantar: "Bem que se quis depois de tudo ainda ser feliz...". A platéia continua até o fim da música e, sem que o público notasse, Marisa Monte saiu do palco e deixou que cantassem em harmonia. Porque, como ela mesma disse, quando todos cantam juntos, sempre fica afinado. O show de Marisa Monte levou ao Ginásio Nilson Nelson mais de quinze mil pessoas que cantaram, dançaram, riram e se emocionaram com suas músicas. A produção foi um espetáculo a parte. O cenário com os telões e luzes, somados a interpretação corporal de Marisa Monte, emoldura as canções e realça a beleza e sutileza das músicas. Com toda sua humildade, a cantora admite que um show de tais proporções precisa de uma equipe competente, por isso, agradece pelos assistentes de palco, cenógrafo, técnicos de som e todos os outros. Depois de tantos anos longe dos palcos, Marisa Monte faz essa espera valer a pena. ... |
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.: por Nanda :: 12:08 AM :.
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___________Terça-feira, Março 13, 2007__ |
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.::Nos Bailes da Vida::.
Para comemorar o Dia internacional da Mulher, a Fnac trouxe Lô Borges para um pocket show. Devido à data, o cantor e compositor mineiro apresentou músicas suas que retratam o universo feminino. Sem muitas explicações, começou o show com "Quem sabe isso quer dizer amor" e, inevitavelmente, foi acompanhado pelo coro. E quando o público pensou que esse seria um show nostálgico, Lô Borges surpreendeu ao apresentar "Nossa mágica", linda canção do novo CD "Bhanda". E o show seguiu nesse propício encontro entre os seus clássicos e as músicas novas. Cantou "Equatorial", "A força do vento", "Tudo em cores pra você", "Um girassol da cor do seu cabelo" (música regravada pelo Ira! e Nenhum de Nós), "Segunda mornas intenções" música do CD novo feita em parceria com Chico Amaral, um dos principais letristas do Skank. Quando Lô Borges cantou "Clube da Esquina n.º2" e "Para Lennon e McCartney", o público, formado na maioria por pessoas que já ostentam seus cabelos brancos, não se segurou. Cantaram, não num coro calmo e controlado, mas com a emoção à flor da pele e sorrisos nos rostos. Uma bonita cena que parece ter impressionado o próprio Lô Borges. Em uma homenagem implícita ao maestro soberano, antes de cantar "O trem azul" disse que essa canção era o seu maior prêmio porque foi gravada por Tom Jobim. Diga-se de passagem, merecidamente. Cantou também "Dois rios" que é o resultado de sua parceria com Nando Reis e Samuel Rosa. Disse que recentemente ele e Samuel comporam seis músicas e pretendem compor mais, embora não saibam ainda o que vão fazer com elas. Essa parceria sintetiza bem o show que apresentou. Lô Borges reconhece o valor de suas músicas antigas e o quanto o Clube da Esquina influenciou novos músicos. Nem por isso parou no tempo. Continua compondo e renovando suas canções. Foi um show breve, pouco mais que trinta minutos como todos os outros pockets shows oferecidos pela Fnac. Voz e violão, tipicamente intimista. Sentindo falta da guitarra, Lô Borges fazia na boca sons semelhantes que soavam quase como um mantra. Bhanda, que em sânscrito significa felicidade, conclui o estado de espírito do público que pôde conferir o show. ... |
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.: por Nanda :: 9:33 PM :.
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"Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava Pr'eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha Pra que eu fotografe assim meu verdadeiro abrigo Deixa a luz do quarto acesa a porta entreaberta O lençol amarrotado mesmo que vazio Deixa a toalha na mesa e a comida pronta Só na minha voz não mexa eu mesmo silencio Deixa o coração falar o que eu calei um dia Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia Deixa tudo como está e se puder, sem medo Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço Deixa e quando não voltar eu finjo que não importa Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito Pra dizer te vendo ir fechando atrás da porta Deixa o que não for urgente que eu ainda preciso Deixa o meu olhar doente pousado na mesa Deixa ali teu endereço qualquer coisa aviso Deixa o que fingiu levar mas deixou de surpresa Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo Se o adeus demora a dor no coração se expande Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa Deixa a gaveta trancada pr'eu não ver tua ausência Deixa a minha insanidade é tudo que me resta Deixa eu por à prova toda minha resistência Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila Deixa pendurada a calça de brim desbotado Que como esse nosso amor ao menor vento oscila Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa Deixa um último recado na casa vizinha Deixa de sofisma e vamos ao que interessa Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha Deixa tudo que eu não disse mas você sabia Deixa o que você calou e eu tanto precisava Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava." ... |
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.: por Nanda :: 12:09 AM :.
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___________Segunda-feira, Janeiro 29, 2007__ |
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.::Nos Bailes da Vida::.
Mais uma vez, Oswaldo veio a Brasília para um show gratuito oferecido pelo Shopping Pátio Brasil. O projeto "Vitrine cultural" completa dez anos e, por isso, Montenegro foi o escolhido para abrir as comemorações que se estenderão por todo o ano. Domingo, às 16h30min, trinta minutos antes do show começar, muitas pessoas já se aglomeravam em volta do palco e nos parapeitos dos pisos superiores para terem uma melhor visão do show. Público bem variado: desde um garoto de cinco anos que segurava um cartaz onde dizia ser o fã número 1 do Oswaldo até uma senhora de idade um pouco avançada que dançava as músicas mais animadas. Eu pensava que o público iria se reduzir à metade no meio do show, acontecimento bem comum nos shows gratuitos de MPB, mas não foi o que aconteceu. Pelo contrário, o público aumentou. Oswaldo e a banda abrem o show com "Vamos celebrar", canção do novo CD. A música animada e com refrão simples ("Vamos celebrar, celebrar, celebrar, vamos celebrar") conseguiu entreter o público ainda que fosse desconhecida pela maioria. Em seguida, Oswaldo explica que o show faz parte da turnê do novo disco e, por isso, iria apresentar as músicas novas. Cantou "Sexo", "Virgem", a homenagem feita em "Nem todo Alceu é Valença", a música preferida de Madalena Salles "Ruínas de sol", a regravação da música de Chico Buarque "Flor da idade", todas essas do novo CD "A partir de agora". Para não deixar de fora a maioria de seus clássicos, Oswaldo Montenegro emendou alguns num Pot-Pourri gigantesco onde tocou "Vida de Artista", "Petulante", "Quebra cabeça sem luz" e muitos outros. Sozinho ao teclado tocou "Estrelas", um dos pontos altos do show. Quando começou a cantar "A lista", uma das músicas mais esperadas por boa parte dos admiradores de Montenegro, ele teve que parar por problemas no som. Tentou resolver o problema, pediu desculpas, agradeceu a compreensão. Cantou "A lista" e logo já emendou "Quando a gente ama", música nova que já é sucesso por ter emplacado numa novela global. O problema no som persistiu e Oswaldo continuou à procura de uma solução. Pediu que a equipe de som fizesse algumas mudanças e explicou a dificuldade acústica de realizar um show num prédio enorme com cinco andares. Convenceu até a mim, que nunca saia satisfeita desses shows em Shooping por conta da péssima qualidade acústica. O som melhorou e antes de começar a cantar "Do muito e pouco", parceria com Zé Ramalho, também do novo CD, fez uma pequena improvisação parodiada no violão sobre o problema do som. Genial, Montenegro! Adoro as histórias que Oswaldo Montenegro conta entre as músicas. E o que mais me surpreende é que ele não as repete. Nos seis shows que já assisti, nos DVDs, nos CDs Ao Vivo: nenhuma história repetida. Neste show, Oswaldo fez dois ótimos comentários. O primeiro foi ao comentar a música do novo CD "Madrugou". Ele disse que sempre achou abominável o ditado popular "Deus ajuda a quem cedo madruga"! Disse que este era um ditado que desrespeitava a vida boêmia e ainda que "é um infeliz o sujeito que tem que ir pra casa cedo, para dormir cedo para acordar mais cedo ainda no dia seguinte". Em homenagem aos boêmios, ele gravou "Madrugou". Genial, Montenegro! (Novamente). Outra história foi a respeito da flautista que o acompanha desde sempre, Madalena Salles. Ao apresentar a banda, Oswaldo disse que uma vez, depois de dar autógrafo a uma moça, seu filho perguntou a ela quem ele era. Ela respondeu: "Ele é o cantor que acompanha uma maravilhosa flautista muito famosa". Ele disse ainda que conta essa história com muito orgulho porque se sente honrado de ser o "cronner" da banda de Madalena Salles. Madá faz mesmo por merecer. Ela, a flauta doce e toda a sua animação são um show a parte. Emoção à flor da pele quando Oswaldo cantou "Léo e Bia", "Bandolins" e "Lua e flor". O público cantava em coro cada um dos versos dessas músicas. E como é bonito ouvir tanta gente reunida cantando músicas tão lindas... Antes de encerrar o show, Oswaldo Montenegro cantou a música "O azul e o tempo (a partir de agora)", também do novo CD, que compôs para Madalena quando ele passava por um problema pessoal complicado. Oswaldo abriu mão do seu violão, segurou o microfone com as mãos, aproximou-se ainda mais da platéia e a música, que já é linda, foi praticamente declamada. Como na sua última turnê, Oswaldo encerrou o show com a mesma música que abriu e "Vamos celebrar" ganhou participação da platéia e tornou-se mesmo a celebração do espetáculo que acabava de acontecer! A única crítica que eu poderia ter do show era a respeito do som, mas como eu disse anteriormente, Oswaldo Montenegro me convenceu das dificuldades existentes e dos esforços feitos para evitá-las. Ou seja, só tenho elogios. Oswaldo foi carismático, simpático, engraçado, descontraído e bastante compreensivo com o problema do som, como sempre. Não sei o porquê da fama de chato. O tempo todo Oswaldo pedia participação da platéia, ensaiava com o público os refrões das músicas inéditas e conseguia fazer o público brasiliense participar de um show (o que não é nada fácil...). Embora tenha apresentado muitas músicas novas no show e essa seja um grande obstáculo para um show gratuito, Oswaldo conseguiu realizá-las com tal maestria que a platéia se interessou por elas. À voz masculina mais bonita desse país, ao novo CD e ao novo show, meus parabéns! ... |
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.: por Nanda :: 7:24 PM :.
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Ano novo, novos projetos. O blog "Chega de Saudade" inaugura hoje a seção "Nos bailes da vida", destinada a comentários de shows. A cada show que eu for, farei observações (breves ou não) sobre as músicas tocadas, o som no local, o público, a banda, improvisações, erros e, é claro, sobre o artista principal. Não é uma resenha e muito menos uma crítica especializada. É apenas um comentário de uma pessoa leiga que estava no meio da platéia. O nome se refere à música composta por Milton Nascimento e Fernando Brant, que não poderia ser mais apropriada por retratar tão bem os esforços de quem faz música por amor:
"Foi nos bailes da vida ou num bar em troca de pão Que muita gente boa pôs o pé na profissão De tocar um instrumento e de cantar Não importando se quem pagou quis ouvir Foi assim Cantar era buscar o caminho que vai dar no sol Tenho comigo as lembranças do que eu era Para cantar nada era longe, tudo tão bom Até a estrada de terra na boléia de um caminhão Era assim Com a roupa encharcada e alma repleta de chão Todo artista tem de ir aonde o povo está Se foi assim, assim será Cantando me disfarço e não me canso de viver Nem de cantar" E para estrear "Nos Bailes da vida", no post seguinte os comentários sobre o show da turnê do novo disco de Oswaldo Montenegro: "A partir de agora". ... |
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.: por Nanda :: 7:24 PM :.
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___________Sexta-feira, Janeiro 26, 2007__ |
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Noite de Quinta Feira, 25 de Janeiro de 2007.
Rio de Janeiro: --> Show em homenagem ao Tom, no Jardim Botânico com Nana Caymmi, Danilo Caymmi e Paulo Jobim. --> Show em homenagem ao Tom com participação d'Os Cariocas, Chico Batera e muitos outros convidados. 80 músicas foram tocadas em homenagem ao aniversário do Maestro. --> Muitos outros shows em homenagem ao Tom. São Paulo: --> Show com Os Mutantes, de graça, na Avenida Paulista. Brasília: --> Chuva e muita chuva...... |
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.: por Nanda :: 1:14 AM :.
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___________Quinta-feira, Janeiro 25, 2007__ |
![]() Há 80 anos, numa noite chuvosa, no bairro da Tijuca do Rio de Janeiro, nascia o primeiro filho de Jorge Jobim e Nilza Brasileiro de Almeida. Nascia o Maestro brasileiro, aquele que iria mudar definitivamente a nossa música, que iria nos fazer rir com suas histórias e com sua sinceridade, aquele que iria mostrar e defender a música brasileira nos países estrangeiros e tornar um de seus clássicos como a segunda música mais executada do mundo. Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o nosso Tom, começava a viver a sua história para, futuramente, mudar o destino de muitos brasileiros com a música. Através de suas canções, Tom ensinou um outro modo de viver, um modo mais tranqüilo, que respeitasse a natureza, que respeitasse o ser humano, que fizesse de tudo para viver o amor em sua plenitude, enfim, um modo Bossa Nova de viver. Seus encontros com Vinicius, Chico, Elis, Edu, Newton (e tantos outros que não caberiam aqui) mostraram ao Brasil e ao mundo a complexidade dos fatos cotidianos, a importância dos detalhes (afinal, o que é "Águas de Março"?) e a grandeza de uma parceria. Vinicius e Tom viveram uma eterna troca de conhecimentos. Chico e Tom também. Chico Buarque não se cansa de repetir que aprendeu com Tom Jobim a fazer letras. Só nos resta agradecer àquele piano que surgiu "de surpresa" para sua irmã Helena quando Tom ainda tinha 14 anos, agradecer ao Lúcio Rangel por tê-lo apresentado ao Vinicius numa noite no Bar do Villariño, agradecer por Tom ter nos ensinado a Bossa Nova quando compôs "Chega de Saudade" com Vinicius de Moraes, agradecer à Bossa Nova que eternizou Tom Jobim e amenizou a nossa saudade. Para encerrar, a homenagem ao Tom em forma de música: "Rua Nascimento e Silva, 107 Você ensinando pra Elizete As canções de Canção do amor demais Lembra que tempo feliz Ah, que saudade Ipanema era só felicidade Era como se o amor doesse em paz Nossa famosa garota nem sabia A que ponto a cidade turvaria Esse Rio de amor que se perdeu Mesmo a tristeza da gente era mais bela E além disso se via da janela Um cantinho de céu e o Redentor É, meu amigo, só resta uma certeza É preciso acabar com essa tristeza E preciso inventar de novo o amor" (Carta ao Tom - Vinicius de Moraes e Toquinho) "A benção, maestro Antonio Carlos Jobim, parceiro e amigo querido, que já viajaste tantas canções comigo e ainda há tantas a viajar. Saravá!" (Vinicius de Moraes) ... |
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.: por Nanda :: 11:14 PM :.
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___________Sexta-feira, Janeiro 19, 2007__ |
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Há 25 anos era ela quem partia num rabo de foguete fazendo toda a nossa Pátria Mãe gentil chorar. Tínhamos perdido a melhor voz que esse país já ouviu. Tínhamos perdido a cantora que ao gritar ou chorar expunha toda a sentimentalidade que poderia haver nas entrelinhas da canção. Perdemos uma mulher decidida e sensível, uma mãe dedicada e preocupada, uma cantora inigualável que sabia interpretar e selecionar seu repertório com maestria e sem meias palavras. Sua personalidade forte encantou Milton Nascimento, Gilberto Gil, Ronaldo Bôscolli e César Camargo Mariano, Tom Jobim e tantos outros de formas diferentes. Sua interpretação hipnotizou o Brasil inteiro. Feliz de um país que se dá ao luxo de ter como clichê "Como nossos pais" interpretado por ela. Vinte e cinco anos depois só nos restam essa saudade que Elis Regina nos deixou e, ao mesmo tempo, essa felicidade e orgulho por termos a oportunidade de ouví-la cantar. Para encerrar, a face compositora de Elis que poucos conhecem. Elis não chegou a gravar essa música, mas compôs a letra e a melodia em parceria com Walter Silva. A melodia foi gravada por Toquinho e pode ser baixada pelo seguinte site: Triste amor que vai morrer . Lendo a letra e escutando essa linda melodia é impossível não imaginar como Elis a interpretaria. "Triste amor que vai morrer Por favor, para quê? Se um amor igual ao seu Nunca vi, não senti É preciso compreender Sem você Vale o quê? Tenta entender Coisa tão bonita assim Não pode ter fim Um amor igual ao seu, meu bem Tem que ser meu." (Triste amor que vai morrer - Elis Regina e Walter Silva) A benção, Elis Regina, maior intérprete desse país. Tu que já chorastes cantando todas as lágrimas emocionadas que eu queria, mas não consegui chorar. Saravá! ... |
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.: por Nanda :: 10:37 PM :.
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___________Sábado, Dezembro 30, 2006__ |
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"O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado". Nem precisa fazer muito esforço para reparar o que os Titãs definiram nesta frase. É só ligar o rádio e ouvir umas três músicas. Uma delas, certamente, será regravação. Pode ser o ritmo que for, mas trazer de volta uma música que todo mundo já ouviu é a mais nova mania do mundo musical. "Pra dizer que não falei das flores" em uma estação, "Vamos fugir" em outra. E nem tem como fugir. Elas estão em todos os lugares! Nesse momento, você que está lendo esse texto deve estar pensando que eu odeio regravações, certo? Errado! Eu gosto de regravações bem feitas, que revelam um lado desconhecido do artista que está sendo regravado, versões que dão gosto de ouvir, que foram feitas por prazer, por admiração e com respeito à música e ao artista. Mas de repente, todos os artistas resolveram regravar. Músicos que estão começando "revisitam" (é, ainda inventaram esse termo para disfarçar) músicas conhecidas de artistas consagrados. Exemplo? Fernanda Porto e a bossa eletrônica. Músicos já consagrados e esquecidos (ou não) regravam músicas bem antigas em ritmo "moderno". Outro exemplo? Jota Quest e "Além do Horizonte". Não sei por que, mas chego a desconfiar que isso é muito mais fórmula de sucesso do que amor à arte. Será? O pior é que vem dando certo. As regravações fazem sucesso e às vezes eu acho que só eu fico incomodada por pouca música nova (e boa, claro) estar sendo produzida. Como será daqui a alguns anos? Vamos ter que regravar as regravações? Será que como Tom Jobim profetizou "eu vou ter que passar minha vida cantando uma só canção"? ... |
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.: por Nanda :: 1:36 AM :.
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___________Quinta-feira, Dezembro 28, 2006__ |
![]() Caetano Veloso sabe mesmo surpreender. Nem sempre as surpresas são boas, mas nem por isso deixam de ser inesperadas. Dois anos depois do polêmico (palavra exata para definir o cantor) CD em inglês "A foreign sound", Caetano mostra que não tem medo das críticas e se arrisca com "Cê". Além de chorar as mágoas pela separação com Paula Lavigne, Caetano faz um CD com muito rock, muita guitarra e muito sexo. Logo na primeira faixa, ele diz que "você nem vai me reconhecer quando eu passar por você", mas enganou-se. Se não fosse ousado, diferente e, quem sabe, inovador, não seria Caetano. Não é fácil sentir amor à primeira vista com "Cê", existe sempre aquela resistência ao diferente. Ainda mais quando esse diferente inclui Caetano cantando "Estou me a vir", o orgasmo português. Mas garanto que vale a pena ouvir pela segunda vez. P.S.: Parabéns à iniciativa de Caetano Veloso. Uma prévia do Cd pode ser ouvida em seu site oficial. Já está mesmo na hora dos artistas aprenderem a utilizar a Internet como aliada. Site Oficial Caetano Veloso: Caetano Veloso ... |
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.: por Nanda :: 1:49 AM :.
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___________Domingo, Outubro 01, 2006__ |
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Muitos podem discordar, e certamente o farão, mas mesmo assim eu insisto e afirmo: bossa eletrônica não é a nova Bossa Nova. Não se assustem e nem me atirem pedras (ainda!), afinal, este é um blog pessoal. Voltando um pouco no tempo e chegando ao finalzinho de 2002, lembro-me de quando a bossa eletrônica começava a ter espaço no meio musical. Fernanda Porto e DJ Patife uniram-se e levaram suas músicas para as pistas de dança. As letras e melodias de Tom Jobim embrenhadas naquele "tuntitun" infinito. E era só o começo. A moda se alastrou e, em pouco tempo, todo mundo desenterrava os vinis e remixava um clássico da Bossa no computador. Pronto, sucesso garantido no próximo verão! Muitos dizem também que a Bossa Nova é quem ganha com isso. Eu discordo (novamente)! Posso até estar sendo saudosista ao extremo, mesmo assim, estou de acordo com a declaração dada, certa vez, por Tito Madi, um dos precursores da Bossa: "Com esses samplers, eles modificam o andamento das canções. Bossa nova deve ser ouvida como foi concebida, com a mesma batida e aqueles arranjos perfeitos e elegantes criados por Lírio Panicalli, Tom Jobim, Luizinho Eça e outros mais". Mas entendam bem: eu não sou contra o que chamam de bossa eletrônica. Gostar eu não gosto, mas defendo o espaço que todo estilo de música deve ter. Só não aceito que chamem de Bossa porque tem a mesma letra e uma melodia escondida lá no fundo. A batida da Bossa é que a define, sendo o contrário, João Gilberto seria só um cantor de barzinho que sabe tocar violão. Atualmente, a remixagem que toma conta das rádios é a de Sergio Mendes e Black Eyed Peas com "Mas que nada". A parte cômica da história é que, aqui no Brasil e certamente lá foram também, em algumas rádios, a música é editada e o pedaço da letra de "Mas que nada" em português é cortada. Ou seja, sobra apenas a música do Black Eyed Peas com o piano de Sergio Mendes ao fundo, bem ao fundo. É cômico porque já aprendemos a rir para não chorar. Lamentável, com a qualidade e variedade musical do Brasil não deveríamos nos submeter a isso. Por esses e outros motivos, eu peço e imploro, se for necessário: chamem do que for, mas não me digam que essa é a nova Bossa Nova! A gente merece e sabe fazer música muito melhor. ... |
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.: por Nanda :: 11:50 AM :.
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___________Domingo, Setembro 17, 2006__ |
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Não farei uma crítica, muito menos uma resenha. Não conseguiria ser fria e imparcial ao comentar o show de Chico Buarque. Primeiro porque sempre foi um sonho que tive e, quando se tem a oportunidade de viver um sonho, é impossível analisá-lo por parâmetros reais. E também, depois de tantos esforços e contratempos, ver que valeu a pena torna cada instante daquele show ainda mais mágico. O que segue a partir de agora é um relato, um depoimento de uma admiradora de Chico Buarque que teve a chance de vê-lo cantar "Quem te viu, quem te vê" a 3 metros de distância e ainda acompanhado por uma platéia emocionada que cantava a música sorrindo e aos gritos. Voltando no tempo, ainda lembro da minha emoção ao ler que a turnê de Chico estrearia no dia 30 de agosto, em São Paulo. Surpresa por saber que a estréia de "Carioca" não seria no Rio de Janeiro, preocupação por Brasília estar fora das cidades confirmadas, dúvida ao decidir para qual cidade eu viajaria para assistir ao show e ansiedade ao me ver, finalmente, com o ingresso na mão, contando até as horas que faltavam para sexta-feira, dia 15 de setembro, em que eu estaria, às 22h, na segunda fileira, vendo e ouvindo Chico Buarque. Quando finalmente este dia chegou, um pouco antes do horário do show, chego à Casa Tom Brasil. Primeira satisfação: o Cenário! Um lindo painel com o desenho de Villa Lobos e um móbile com os contornos das montanhas do Rio. Salve, Hélio Eichbauer. Primeira surpresa (logo, outra satisfação): o produtor musical, arranjador e maestro Luis Cláudio Ramos afinando seu violão antes do show. Sempre tive estima especial por ele, assim como pelo maestro da Bethânia, Jaime Alem. As luzes se apagam, Mièle no telão (entre outros avisos) diz as palavras mágicas: "O show vai começar!". E começou. Frio na barriga e sorriso estampado no rosto. A sombra de Chico surge atrás do iluminado painel com o desenho de Villa Lobos. O painel sobe, o poeta toma a forma do que antes era sombra. A simples representação de um sonho se tornando real. Chico canta e enfeitiça. Durante algum tempo fico estática, sem dar por mim, com os movimentos embalados apenas pelo som da canção. Só voltei à minha sã (?) consciência depois das palavras que se assemelharam ao estalo dos dedos no hipnotismo: "Obrigado, boa noite!". É, é real. Por mais inacreditável que possa parecer, é real. E como seria bom se a realidade fosse sempre tão conectada ao sonho... O show segue com poucas ou quase nenhuma palavra de Chico além de "Obrigado". E eu, que adoro palavras, acho-as indispensáveis. As canções de Chico interpretadas (quase declamadas) por ele, ao vivo, valem por toneladas e toneladas dos dicionários de seu tio Aurélio Buarque de Hollanda (não que eu esteja pondo a prova sua importância. Longe de mim). E as horas, que pareciam andar pra trás desde o momento em que comprei o ingresso até que o show começasse, correram na velocidade da luz depois que Chico pôs os pés no palco. Cada música parecia terminar tão rápido como se tivessem um só compasso. Injustiça do tempo. Sinto-me privilegiada por ter visto o compositor da maioria das músicas que eu mais gosto interpretar, ao vivo, clássicos como "Morena de Angola", "Imagina", "Eu te amo", "Mil perdões", "Palavra de Mulher", "Futuros amantes", "Bye Bye, Brasil", "Deixa a menina", "Quem te viu, quem te vê" e "João e Maria", sendo que essas últimas tiveram a participação especial do público que cantava em coro e tinha como resposta Chico Buarque que sorria orgulhoso. As canções do disco que dá nome ao show, Carioca, foram todas apresentadas e ficaram ainda melhores na versão ao vivo, exceto "Ode aos ratos" que ficou um pouco confusa como se fosse um erro remendado. Sem contar músicas antigas, pouco conhecidas, como "Ela é dançarina", que Chico fez questão de interpretar para fugir dos clichês. Chico vai embora, mas depois dos gritos e palmas da platéia, volta e canta os sambas já citados. Insiste em partir de novo, mas a multidão, ainda não saciada, continua a gritar e bater palmas. Os músicos retornam ao palco. Chico também, claro. E volta para interpretar a canção da despedida, a música que fala por mim, que melhor exprime como eu me senti depois que o faz de conta deu lugar à realidade: Que o faz-de-conta terminasse assim Pra lá deste quintal Era uma noite que não tem mais fim Pois você sumiu no mundo Sem me avisar E agora eu era um louco a perguntar O que é que a vida vai fazer de mim" P.S.: A insistente repetição da palavra "mágica" não foi em vão. É a melhor forma de definir o show! ... |
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.: por Nanda :: 11:01 PM :.
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.: Eu...
Fernanda. Simplesmente apaixonada pelo Brasil e por toda a cultura desse país, incluindo boa música. Amo minha afilhada, minha família (de sangue e de amigos) que me chamem de Nanda. Não admito música de péssima qualidade e hipocrisia.
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